As quatro que importam
Nível de serviço. Percentual atendido dentro de um tempo alvo, escrito como 80/20. É a única métrica que enxerga a experiência do cliente e a capacidade da operação ao mesmo tempo. Se for para acompanhar uma só, acompanhe essa.
Taxa de abandono. Quem desistiu antes de falar com alguém. É a mais honesta de todas, porque mede comportamento e não intenção.
TMA, tempo médio de atendimento. Do "alô" até o fim do trabalho da chamada, incluindo o pós. Ele determina quanta gente você precisa, e por isso é insumo de dimensionamento antes de ser meta.
Resolução na primeira chamada. Percentual resolvido sem o cliente precisar ligar de novo. É a métrica que separa atendimento de teatro de atendimento.
As que enganam
TME, tempo médio de espera. Parece fundamental e é traiçoeiro, porque quem abandona sai da média. Central com abandono de 25% costuma exibir TME excelente. Nunca leia TME sem olhar abandono na mesma linha.
Chamadas atendidas por hora. Produtividade pura, sem qualidade. Sobe quando o atendente despacha o cliente rápido, o que derruba a resolução na primeira chamada e faz a pessoa ligar de novo amanhã. Você melhora um número piorando o negócio.
Ocupação. Útil para saúde da equipe, péssima como meta. Cobrar ocupação alta é pedir que ninguém tenha folga entre chamadas.
A métrica que faz a equipe sabotar o cliente
Se você cobrar TMA baixo do atendente, vai conseguir TMA baixo. E vai conseguir junto:
- chamada encerrada antes de o problema estar resolvido;
- transferência desnecessária, porque transferir tira a chamada do TMA de quem transferiu;
- cliente ligando de novo no dia seguinte, o que aumenta o volume total e piora a fila;
- o mesmo problema resolvido em três chamadas curtas em vez de uma longa.
TMA é excelente para planejar e horrível para cobrar. Use para dimensionar equipe. Nunca coloque na meta individual.
O que se cobra do atendente é resolução na primeira chamada e qualidade. TMA é consequência.
Como ler os quatro juntos
| O que você vê | O que provavelmente está acontecendo |
|---|---|
| Abandono alto, espera baixa | Gente desistindo cedo. A espera baixa é ilusão de quem sobrou |
| Nível de serviço bom, resolução baixa | Atende rápido e resolve mal. O volume vai crescer sozinho |
| TMA subindo e ocupação acima de 85% | Equipe cansada. O indicador vai piorar sozinho a partir daqui |
| Tudo bom, mas cliente reclama | Provável bloqueio de canal. Quem ouve ocupado não entra em nenhum relatório |
Aquela última linha é a que mais aparece na nossa engenharia. A central mostra indicadores impecáveis porque só enxerga o que chegou até ela. O que bateu em ocupado morreu antes.
A métrica esquecida: qualidade de áudio
De nada adianta atender em 12 segundos se o cliente não entende o que o atendente fala. Qualidade de voz é medida por MOS, uma nota de 1 a 5 estimada por chamada. Abaixo de 3,5 a conversa fica cansativa. Abaixo de 3, as pessoas começam a pedir para repetir.
Poucas operações acompanham isso, e depois passam meses tratando "cliente insatisfeito" como problema de treinamento quando era problema de rede.
Um painel útil cabe em quatro números
Nível de serviço, abandono, resolução na primeira chamada e MOS. Se esses quatro estiverem saudáveis, o resto está. Se algum estiver ruim, ele diz onde olhar.
Trinta indicadores num slide não é maturidade de gestão. É falta de escolha.
Perguntas que sempre aparecem
Qual a diferença entre TMA e TMO?
Posso colocar TMA como meta do atendente?
O que é MOS e qual valor é aceitável?
Por que meus indicadores estão bons e o cliente reclama?
Quer ver esses indicadores no seu painel?
O painel da GCLOUD entrega fila, abandono, tempo de espera e MOS por chamada, com histórico. Manda uma mensagem que a gente mostra funcionando.
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